quarta-feira, 14 de maio de 2008

SÓCRATES


Sócrates é acusado de perverter os jovens atenienses, instilando-lhes
o veneno da liberdade nos corações.
Preso e humilhado, seu espírito generoso não se acovarda diante
das provas rudes que lhe extravasam do cálice de amarguras. Consciente
da missão que trazia, recusa fugir do próprio cárcere, cujas portas se lhe
abrem às ocultas pela generosidade de alguns juízes.
Os enviados do plano invisível cercam-lhe o coração magnânimo e
esclarecido, nas horas mais ásperas e agudas da provação; e quando a
esposa, Xantipa, assoma às grades da prisão para comunicar-lhe a
nefanda condenação à morte pela cicuta, ei-la exclamando no auge da
angústia e desesperação:
- "Sócrates, Sócrates, os juizes te condenaram à morte..."
- "Que tem isso? - responde resignadamente o filósofo - eles
também estão condenados pela Natureza."
- "Mas essa condenação é injusta..." - soluça ainda a desolada
esposa.
E ele a esclarece com um olhar de paciência e de carinho:
- "E quererias que ela fosse justa?"
Senhor do seu valoroso e resignado heroísmo, Sócrates abandona a
Terra, alçando-se de novo aos páramos constelados, onde o aguardava aE ele a esclarece com um olhar de paciência e de carinho:
- "E quererias que ela fosse justa?"
(EMMANUEL)

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