domingo, 18 de maio de 2008

FERNANDO PESSOA


O pensamento filosófico poético de Fernando Pessoa, assinado sob o pseudônimo de Alberto Caeiro é de enorme profundidade e grande proximidade à experiência Zen. Sua abordagem da questão da realidade física tem também grande aproximação com a visão complementar desenvolvida por Niels Bohr como o fundamento da Teoria Quântica e com as visões de L. Wittgenstein. Bohr nasceu em 1885, Pessoa em 1888 e Wittgenstein em 1889.

O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

(.....)

Eu não tenho filosofia: tenho sentido...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é
Mas porque a amo, e amo-a por isto,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
(.....)
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.

(.....)
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos:
As coisas não tem significação: têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas.

(.....)
Vive, dizes, no presente;
Vive só no presente.
Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as coisas que existem, não o tempo que as mede
(.....)
O que é o presente?
É uma coisa relativa ao passado e ao futuro.
É uma coisa que existe em virtude de outras coisas existirem.
Eu quero só a realidade, as coisas sem presente.
Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas coisas como presentes;
quero pensar nelas como coisas.
Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.
Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.

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O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas da roda
Gira a entrer a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração

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Comentários biográficos: Fernando Pessoa (por ele mesmo)Fernando Antônio Nogueira Pessoa — Lisboa, 13 de junho de 1888

Cristão Gnóstico, e portanto inteiramente oposto a todas as igrejas organizadas, e sobretudo à Igreja de Roma. Fiel, por motivos que mais adiante estão implícitos, à Tradição Secreta do Cristianismo, que tem íntimas relações com a Tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah) e com a essência oculta da Maçonaria.

Lema: Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, grão-mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos: a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.

Lisboa, 30 de março de 1935.

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